Archive for outubro 3, 2007
Eddie Vedder é o cara!
Eddie Vedder – Into The Wild (2007)
Gravadora: Sony/BMG
Ok, todos já sabem que Eddie Vedder é o cara !
Quando ele veio pro Brasil com o Pearl Jam deixou isso bem claro…
Agora quando eu esperava que o Pearl Jam e ele iam dar uma parada na divulgação do excelente disco homônimo que eles lançaram ano passado, a banda vem e lança o DVD “Immagine in Cornice: Picture in a Frame” com shows do Pearl Jam na Itália. Mas como ainda não assisti à esse DVD, não vou falar sobre ele e sim, sobre o projeto solo que Eddie Vedder lança novamente, ou para alguns, o seu primeiro.
Imagina você receber uma ligação do ex-Madonna e todo poderoso Sean Penn te contando:
– Alô, Eddie? É o Sean cara beleza?
– Opa, tudo certo.
– Então, eu estou fazendo um filme sobre o Chris McCandless, aquela história real de um moleque que surtou no começo dos 90’s, abandonou a vida de riquinho, a família e foi “encontrar a si mesmo” no Alasca e acabou virando livro a história, sabe?
– Sei sim.
– Então, faz a trilha sonora pra mim?
– Off course, dude!
Sempre fico com medo quando um artista resolve lançar um disco solo, já cheguei a uma conclusão que quando as pessoas vão ficando velha elas não querem fazer mais rock – “rock eu faço na minha banda, solo, quero fazer algo novo” – acredito eu, então eles caem sempre no bom e velho estilo Folk.
Com Eddie Vedder não é diferente, aqui para compor “Into The Wild” ele usa e abusa do estilo com 11 músicas de 1 minuto e meio, 2 minutos e que chegam a 30 minutos de disco. Li que Eddie tocou quase todos os instrumentos e isso me deixou bastante curioso, fui atrás do disco, encontrei-o e simplesmente achei genial !!
O disco abre com a faixa “Setting Forth” e de cara já achei a melhor do disco. Sempre quando um disco começa com uma faixa tão boa fico pensando:
1) Ou o resto do disco é maravilhoso;
2) Ou ele colocou logo essa que é a única que presta no disco.
Com direito a seus clássicos falsetes a faixa acaba comigo pensando “Mas já? que pena…”
Então vem seguida de “No Ceiling” com um Ukulele de fundo e com um refrão cativante, que já faz eu pensar na opção 1, “esse disco todo deve ser bom”, mas com 1:34 depois a música acaba e eu fico pensando “Poxa Eddie, dá um tempinho mais para as suas músicas…” Eis que ele me presenteia com a belíssima folk/grunge “Far Behind” que poderia facilmente estar presente em um disco do Pearl Jam. Como ainda não vi o filme acredito que nessa hora deve ser a hora que o moleque se revolta e foge, pois ele canta:
“My shadow runs with me
Underneath the big white sun
My shadow comes with me as we leave it all
We leave it all far behind”
“Rise” vem em seguida acompanhado de Ukulele e Eddie apenas, essa música me lembra muito o Pearl Jam, ou pelo menos a música que ele cantou aqui no Brasil só voz e violão, digo, ukulele, se eu estiver errado ou certo me avisem por favor.
“Long Nights” já aperece uma guitarrinha dedilhada no estilo Eddie de tocar, música com um aspecto sombrio, mas que me agradou. “Tuolumne” é uma faixa instrumental de 1 minuto com dedilhados de violão que serve para introduzir a versão de “Hard Sun” que conta com a bateria e o backing vocal de Corin Tucker, do Sleater Kinney e já começa com a excelente frase “When I walk beside her, I am the better man”.
“Society” às vezes nem parece com Eddie cantando, na minha opinião, mas uns detalhes aqui e ali e eu descubro que é ele mesmo. Soube que o produtor e compositor argentino Gustavo Santaolalla participou do disco e como nessa faixa tem um solo de violão bem latino, acredito que seja aqui sua participação.
“The Wolf” é simplesmente Eddie Vedder urrando igual à um lobo, instrumental praticamente.
Quando me dou conta restam apenas 2 faixas: “End Of The Road” que deve tocar no clímax do filme e contém uma melodia bonita seguida de uma letra mais linda ainda.
A faixa que encerra o disco “Guaranteed” também mostra um Eddie apenas com voz e dedilhado.
Resultado: disco feito completamente na solidão de Eddie e que deve ter sido inspirado mesmo em Chris para compor essa trilha, ótimos arranjos folks a la Neil Young e no final sabia que não ia me decepcionar com ele.
